Em primeiro lugar, pense bastante antes de tomar qualquer decisão, porque o estresse provocado por um divórcio só perde para a morte de um cônjuge. Não se esqueça de que a separação se dá em quatro níveis: legal, financeiro, emocional e social. Portanto, você também poderá encarar noites mal dormidas, ataques de ansiedade e crises depressivas, além de perder amigos que antes eram comuns ao casal. Certifique-se de que realmente não há nenhum meio de salvar o casamento e só siga em frente depois de esgotar todas as alternativas. Aqui vão dez dicas para enfrentar o terremoto.

1) Começando pelo mais difícil: mantenha a calma. Pense racionalmente – e financeiramente – porque a lista de tarefas é comprida, as questões a serem discutidas são sensíveis e o ideal é estabelecer uma trégua para buscar o consenso com o (a) ex. Quanto mais decisões forem transferidas para um advogado e um juiz, mais chances de ambos se sentirem insatisfeitos. Procure um consultor financeiro se tiver cacife para isso.

2) Junte e faça cópias de todos os registros financeiros, estejam eles em papel ou no computador. Isso inclui aplicações, seguros, planos de aposentadoria, financiamentos, registros de imóveis, documentos do carro, extratos bancários etc. Estamos falando de créditos e débitos, porque as dívidas também terão que entrar na negociação.

3) Se tiver itens de valor em casa, faça um inventário deles: joias, objetos de arte, coleções. Fotografe as peças se achar que há risco de desaparecerem.

4) Encerre as contas-conjuntas e abra uma conta bancária em seu nome, caso não tenha uma. Se os cartões de crédito eram usados pelos dois – em compras on-line, por exemplo – cancele tudo e peça um novo só seu. Cheque se seu nome está limpo na praça, porque você pode ter que alugar um lugar para morar ou eventualmente fazer um empréstimo.

5) Tente fazer o levantamento mais preciso que puder do valor total de todos os bens: se o apartamento ainda estiver sendo pago, subtraia o que você deve da estimativa de quanto o imóvel vale. Os casais optam, com frequência, por deixar a casa com a mulher e os filhos, mas também é comum que descubram que não têm mais como manter o mesmo padrão de vida.

6) Não se esqueça de fazer todas as deduções de impostos e taxas que porventura tenham que ser pagos numa divisão de bens. O líquido pode estar bem aquém das expectativas iniciais.

7) Projete todas as despesas dessa nova fase da vida e prepare-se para um período de ajustes no orçamento, porque as contas dobram e a renda cai pela metade. Quanto mais rapidamente você aceitar e se organizar, melhor, inclusive porque pode ir pensando em outras frentes para ganhar dinheiro. Isso ajuda a limitar gastos logo após a separação: noitadas com os amigos ou presentes para si mesmo (a) para compensar o baixo astral.

8) Altere todas as senhas que foram compartilhadas e os beneficiários de seguros, planos de previdência e testamento.

9) Foque no seu bem-estar: alimente-se bem, evite o álcool em excesso e se exercite. Se couber no orçamento, faça um check-up e vá ao dentista. Não se isole, mas cuidado para não cair no extremo oposto e se arriscar em situações de promiscuidade.

10) Se tiver filhos, curta os momentos com eles e esteja 100% presente nessas ocasiões (por favor, dê uma folga ao celular e às redes sociais). Não fale mal da mãe ou do pai deles, porque as crianças não são culpadas do fim do casamento. Se vocês dois puderem compartilhar a guarda e a convivência for amigável, melhor ainda.

É duro, mas passa. Vai chegar a hora de sacudir a poeira e dar a volta por cima.

 

Crédito da ilustração: By Sr. Harris – reproducción Srta. E. Berroeta – http://www.memoriachilena.cl/archivos2/pdfs/MC0026224.pdf, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=16181635

 

 

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