Essa é da série “quem nunca?”. O fim de um relacionamento amoroso pode ter impacto devastador no ambiente de trabalho. A produtividade cai e às vezes a falta de equilíbrio leva a decisões equivocadas. Os chefes também devem estar atentos para – se não forem eles próprios a viver a situação – dar o apoio necessário que o colaborador precisa nessa hora. E será que tem receita para trabalhar com o coração partido sem comprometer a carreira? Para o psicólogo americano Guy Winch, autor de vários best-sellers e palestrante do TED, isso é tão possível que em fevereiro ele vai lançar “How to fix a broken heart” (“Como consertar um coração partido”).

Sabemos que a dor emocional é sentida nas vísceras: o peito dói, a garganta se fecha. Mas o doutor Winch afirma que deveríamos estar preocupados com outro órgão: o cérebro, que é o responsável por sintomas tão dramáticos. Para fazer o sofrimento cessar, ele ensina que, além de aceitarmos o rompimento, temos que fazer todo o esforço possível para seguir em frente. O caminho é, gradativamente, diminuir a presença desses sentimentos em nosso pensamento, mesmo que nossa mente trabalhe na direção oposta. É o que acontece: pensamos na pessoa o tempo todo, no que houve e no que poderia ter ocorrido. Ele alerta: ruminar pode levar à depressão, porque o indivíduo não sai daquela espiral negativa, e este é o momento de proteger a autoestima. Aqui vão alguns conselhos para escapar das armadilhas mais recorrentes:

  • O ex ou a ex era sensacional, a melhor coisa que aconteceu em nossas vidas: é comum que lembremos apenas das coisas positivas, o que só aumenta a dor, por isso não devemos nos apegar a essa visão, que com certeza não é realista.
  • O relacionamento era um mar de rosas: nenhuma relação é assim, portanto é bom sair do “modo negação”.
  • Tentar fazer um contato vai me sentir melhor: chance zero de essa decisão lhe trazer algum conforto, ponha sua autoestima em primeiro lugar.
  • Falar sobre o rompimento com todos vai suavizar o sofrimento: claro que é natural tratar do assunto com as pessoas mais chegadas, mas não ter outro tema de conversa fará você se sentir pior.

Sua tática é propor uma espécie de “dique” de ações positivas para neutralizar as ondas negativas. A cada lembrança do ex-amor, busque algo divertido como contraponto: pode ser um vídeo de rede social, uma conversa rápida no ambiente de trabalho, ou mesmo uma tarefa que lhe dê prazer. Guy Winch reconhece a dimensão desse golpe na vida de seus pacientes: é difícil impedir o que chama de “pensamentos invasivos”. Entretanto, o psicólogo ressalta que esse é o tipo de experiência que deveria nos tornar mais tolerantes e capazes de sentir compaixão pelos nossos semelhantes.

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