Uma coisa é certa: é melhor reconhecer os sinais de burnout antes de ser fritado por ele. Quando começou a ser utilizada, anos atrás, a expressão era usada para profissionais da área da saúde, policiais e bombeiros: a sensação de esgotamento físico e mental se aplicava a gente que lidava com tragédias e pesados dramas humanos. No entanto, tornou-se “normal” sentir-se estressado, permanentemente cansado e, por fim, ressentido e cínico – um roteiro macabro do mundo corporativo. Todos queremos realizar um bom trabalho, mesmo que seja modesto, e todos queremos ser felizes – ou pelo menos sentir satisfação – com ele. Afinal, nossa vida profissional ocupa a maior parte do dia, e quem se queima com o burnout pode precisar de muito mais que simples férias para se recuperar.

Qualquer alteração pode disparar uma onda de inquietação: um novo chefe, a substituição de um sistema ou software, mudanças de escalas em cima da hora e prazos irreais. Ninguém está imune a esses percalços e muitos são resolvidos com conversa e negociação. O problema é quando viram fonte de angústia, perda de apetite ou acessos de raiva em casa. Uma das mais importantes pesquisadoras do assunto, a professora de psicologia Christina Maslach, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, diz que há três grandes sinais de burnout que não devem ser ignorados:

  • Sentir-se esgotado emocionalmente e com indícios de que mentalmente você também não está bem. Sensação de náusea, não conseguir dormir e ter problemas de saúde frequentes, como um resfriado atrás do outro, mostram que o corpo fala.
  • Sentir-se excluído pelos colegas de trabalho e chefes, com um sentimento de ser menosprezado ou estar no ostracismo.
  • Sentir-se apático e incapaz de conseguir dar o melhor de si.

O resultado pode ser absenteísmo, ou mesmo uma sucessão de erros, por isso a pesquisadora sugere algumas ações para se recuperar:

  • Respire profundamente, o que traz benefícios a seu sistema parassimpático, reduzindo o estresse.
  • Faça pequenas pausas: cinco minutos a cada 20 minutos gastos numa tarefa. Beba um copo de água, vá ao banheiro, tome um café.
  • “Fatie” o que tem que ser feito em pequenos itens, os menores possíveis, e vá realizando um de cada vez, valorizando a vitória de superar cada etapa, por mais insignificante que seja.
  • Procure um mentor (a) ou amigos no trabalho com quem possa discutir uma solução para o problema. Ter apoio da família também é de grande ajuda.
  • Arranje uma atividade ou um hobby que funcione para liberar sua energia e angústia. Exercitar-se é sempre uma ótima alternativa.

Entretanto, se o ambiente for tão hostil que os sintomas só se agravam, está na hora de pensar em trocar de emprego.

 

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