Muito já se falou sobre a ameaça dos robôs, que poderiam acabar com cerca de 50% dos empregos existentes. Exagero? Talvez não. Nas frentes de batalha, soldados seriam substituídos por drones e outras máquinas. Algoritmos – sempre eles! – fariam o trabalho dos consultores financeiros, porque saberiam calcular com maior precisão os melhores investimentos. Na medicina, cirurgias complexas já vêm sendo realizadas por robôs. No direito, há softwares que economizam o tempo de checar documentos porque são capazes de reconhecer as informações mais relevantes. Depois dos carros sem motoristas, poderemos pensar em aviões sem pilotos? Antes que a ansiedade nos leve a palpitações, vale pensar nas oportunidades que vão surgir nos próximos anos.

Para começar, as profissões que dependem de pensamento criativo, empatia e comunicação interpessoal estarão mais “protegidas”. Psicólogos, por exemplo, ou conselheiros de todo tipo (que os consultores preferem chamar de coaches), o que inclui professores. Na área dos serviços, mesmo que seja possível pedir comida por diferentes aplicativos, a experiência de comer num bom restaurante e ser servido por uma equipe impecável continuará nutrindo o negócio. Graeme Codrington, especialista em prever cenários, afirma: “o normal não existe mais”. É fundamental estar antenado com as mudanças em cinco frentes: tecnologia, demografia, meio ambiente, valores da sociedade e das instituições. Para dar dois exemplos: na área tecnológica, designers de realidade virtual serão disputados; no campo da demografia, o envelhecimento da população vai demandar novos serviços.

Entre as habilidades a serem desenvolvidas, estão talento para negociar e fazer mediação, flexibilidade, capacidade de liderar pelo diálogo, transparência. No lugar da mão-de-obra contratada pelas antigas leis trabalhistas, profissionais serão chamados para trabalhos específicos. E como se destacar no meio da concorrência? Cada um terá que se projetar individualmente como marca, administrando seu negócio, sabendo se promover e se manter atualizado. Importante: será difícil contar com um salário todos os meses, portanto aprenda a gerir as próprias finanças. Uma frase genial de Peter Drucker, um dos papas da moderna administração, resume o espírito da coisa: o maior perigo numa época de turbulência não é a turbulência, e sim agir com a lógica de ontem.

A coluna terá um curto recesso de fim de ano e estará de volta no dia 15 de janeiro. Feliz Ano Novo para todos!

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