As empresas de serviços e tecnologia que movimentam o mercado brasileiro de criptomoedas estão se juntando para defender o setor por aqui. Esta semana foi apresentada, em São Paulo, a nova Associação Brasileira de Criptomoedas e Blockchain, a ABCB, que busca defender a legitimidade do mercado de moedas virtuais e ampliar o conhecimento sobre este universo que vai além do Bitcoin. Uma proposta similar é defendida pela Associação Brasileira de Criptomoeconomia, a ABCCripto, que ~e formada por seis das maiores corretoras de moedas virtuais do Brasil e será anunciada oficialmente agora em maio.

Interessante notar que a formação das duas associações está ligada ao Projeto de Lei 2303 2015, do Deputado Áureo Ribeiro, que trata da “inclusão das moedas virtuais e de programas de milhagem aérea na definição de ´arranjos de pagamento´ sob a supervisão do Banco Central”. O sinal de alerta para as empresas do setor apareceu no fim do ano passado com a publicação de um relatório do deputado Expedito Netto, propondo a proibição e criminalizando a “comercialização, intermediação e mesmo a aceitação como meio de pagamento para liquidação de obrigações no país” das chamadas moedas virtuais, moedas digitais ou criptomoedas.

Natalia Garcia, vice-presidente da ABCCripto e diretora jurídica da FoxBit, conta que, naquele momento, as exchanges brasileiras resolveram se organizar para trazer informação e esclarecimentos sobre o mercado de criptomoedas. Hoje além da FoxBit, os associados são MercadoBitcoin, BitcoinTrade, Braziliex, Walltime e FlowBTC.

Segundo ela, o grupo já atua desde o fim do ano passado, em Brasília, e conseguiu algumas vitórias como ajudar a eliminar justamente o artigo que visava a criminalização das moedas virtuais.

Rodrigo Marques, fundador e presidente da Atlas Project, criadora de um sistema de arbitragem para bitcoin é um dos primeiros associados da recém-lançada ABCB e um de seus mentores. Ele lembra que a movimentação da Câmara dos Deputados no caminho da proibição das criptomoedas mostrou que ainda havia muita desinformação nessa área.

A ABCB é presidida por Fernando Furlan, que foi presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e secretário-executivo do então Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Segundo Marques, uma das metas da entidade é transformar o Brasil num polo de empresas de criptomoedas. Outra bandeira da ABCB é esclarecer o público e o mercado financeiro “que esse não é um mercado de radicais e sim estruturado”, diz Marques. Segundo a associação, em 2017 foram negociados R$ 8 bilhões no somente em moeda bitcoin.

Quando se fala em regulamentação do setor, uma discussão que ocorre no mundo todo, as duas associações têm opiniões parecidas.

Natalia reforça que a ABCCripto quer brigar um pouco mais por um mercado que se autorregule, como acontece com os bancos por meio da Febraban, por exemplo. Marques, da Atlas, acompanha de perto o movimento de outros países, mesmo porque está abrindo uma filial na Argentina, e acredita que a regulamentação das criptomoedas é um caminho inevitável no país, mas espera “que ela venha sem engessar o mercado”.

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Brasil ganha associações de defesa das criptomoedas
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