Hoje eu vou falar sobre o uso da tecnologia blockchain, que surgiu com o Bitcoin, em projetos que trazem benefício à sociedade.
Esse foi o tema de um painel do qual eu participei neste sábado (19) no Festival Path, um dos maiores eventos de inovação do país, realizado em São Paulo.

Primeiro é legal a gente entender um pouco sobre esse sistema chamado blockchain que alguns consideram uma revolução similar à internet. O blockchain há quase dez anos, logo após a crise imobiliária americana que abalou a confiança em importantes instituições financeiras. Esse foi um belo impulso para que um grupo de programadores – ou um único programador conhecido somente por como Satoshi Nakamoto – decidisse criar um sistema financeiro independente, descentralizado e seguro, em que cada transação aprovada fosse registrada em cadeia, de uma forma que não pudesse ser alterada e estivesse disponível para todos que quisessem verificar.

De lá pra cá, aquela espécie de livro contábil inviolável foi sendo adaptada para as transações de outras moedas virtuais e saiu da esfera financeira para outros tipos de transações e processos. E se você fizer uma busca por blockchain todo dia vai encontrar uma empresa ou órgão público anunciado uma iniciativa nessa área. O BNDES anunciou em fevereiro, o Facebook criou uma divisão de blockchain, a Fedex vai usar a tecnologia para logística, há aplicações para registros de históricos médicos e aquelas que geram impacto social.

Que tal se você puder fazer uma doação para uma ONG e saber exatamente o caminho da sua contribuição e como ela fez diferença lá na ponta para quem recebeu. O projeto da empresa Welight, criada em 2016, usa a tecnologia blockchain em parceria com a IBM pra dar transparência e segurança ao fluxo de doações a para Organizações da Sociedade Civil (OSCs). Na prática você instala uma extensão da Welight no seu navegador e quando faz uma compra na internet nos sites parceiros pode escolher uma causa para apoiar e fazer uma doação automática e gratuita a partir da sua compra online para aquela organização. E o caminho iniciado quando escolhe a causa com a qual se identifica e dá o clique para contribuir é todo baseado em blockchain.

O Pedro Paulo Lins e Silvia, co-fundador e co-CEO da Weight, comentou no painel que eles desenvolveram o sistema de uma forma simples de usar tanto para o consumidor dador como para incluir as entidades de menor porte com menos recursos. Logo mais eles terão um aplicativo também pra você fazer as compras e doações pelo smartphone.

Falando em dispositivos móveis você sabia que pode usar seu aparelho pra conhecer e votar em projetos de lei de iniciativa popular? Essa é a proposta do projeto Mudamos, que também abraçou a tecnologia blockchain para garantir a transparência e a segurança em todo o caminho do seu voto até a câmara. O Marco Konopacki, coordenador do Mudamos conta que além de incentivar o conhecimento e a participação das pessoas os projetos de lei o aplicativo ainda tem uma função ambiental eliminando milhares de assinaturas de papel que são necessárias para o avanço de cada projeto.

A proposta de descentralização e transparência da tecnologia que reduz o número de intermediários e traz mais colaboração de cada pessoa também tem um bom exemplo no setor de consumo. O Comida da Gente, uma rede de compras colaborativas online, foi um dos projetos citado pelo André Salem, que é diretor de inovação da Welight e co-fundador da consultoria Blockforce. O processo, que também usa a tecnologia blockchain, permite que os consumidores façam compras em conjunto em várias partes do Brasil, diretamente com os produtores. E as entregas também são combinadas no grupo eliminando grandes deslocamentos, o que torna toda a cadeia mais sustentável.

Lá no painel, algumas pessoas já estavam interessadas em empreender usando blockchain e surgiu a dúvida sobre quando e se aplicar a tecnologia. O Marco que é coordenador de projetos na linha de Democracia e Tecnologia do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio) lembrou também que nem todos os projetos demandam o uso desse sistema. Segundo ele, “quando é preciso criar um sistema de confiança que seja distribuído e que necessite de validação aí entra o projeto de blockchain”. Com certeza veremos muitos outros projetos bacanas usando a blockchain para acelerar mudanças positivas por aqui e no mundo todo.

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