Na sua edição especial com previsões para 2018, a revista britânica “The economist” aposta suas fichas na utilização de algoritmos pela área de recursos humanos das empresas. O objetivo: garantir a diversidade da equipe e combater o preconceito. A pressão para tornar os ambientes de trabalho locais mais acolhedores para mulheres e minorias não para de crescer – basta lembrar que a revista “Time” elegeu, como personagem do ano, as vítimas e denunciantes de assédio sexual que motivaram a campanha #MeToo nas redes sociais. Ao mesmo tempo, programas de treinamento para conscientizar os empregados parecem estar sofrendo de algo semelhante a uma fadiga do material, ou seja, não surtem o efeito desejado. Como o risco de arranhar a reputação das empresas só aumenta, o jeito é apelar para a tecnologia.

Diferentemente de outras áreas do mundo corporativo, como o marketing, a de recursos humanos foi uma das últimas a entrar no mundo do “big data”, mas esse tipo de abordagem tem chances de mudar completamente a forma como as pessoas serão recrutadas ou promovidas. Por exemplo, pode estar com os dias contados a preferência por candidatos de escolas de elite. O chamado preconceito inconsciente tornou-se um desafio para os gestores: pode estar no texto de um anúncio, ou numa entrevista de emprego. Por isso já estão sendo testados softwares específicos, como um que vasculha conversas em busca de expressões inadequadas. O maior problema por trás desse movimento é que os algoritmos são tão bons quanto quem os desenvolve, isto é, eventuais juízos de valor dos programadores influenciariam o resultado dos programas.

As velhas avaliações de desempenho passarão por uma revolução. Quem as considerava perda de tempo e papo furado pode ser surpreendido com retornos praticamente em tempo real, feitos a partir de ações (boas ou más) detectadas pelas ferramentas de análise de todas as informações disponíveis sobre os funcionários. O medo de que esse monitoramento contínuo provoque ainda mais casos de assédio moral se justifica, mas a via é de mão dupla: chefes ruins também estarão sob o escrutínio dos mesmos mecanismos. A propósito, vale repetir recomendação já dada neste espaço: quem for antenado vai pensar duas vezes sobre a forma de se expressar em e-mails da firma, plataformas colaborativas ou nas redes sociais.

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