O valor do Bitcoin caiu mais de US$ 1 mil dólares em uma semana e tem muita gente preocupada com a carteira virtual. Quando é que o valor da moeda virtual vai parar de cair? E se alguém te disser que talvez este seja o valor real do Bitcoin e que aquele boom do ano passado, que culminou com uma máxima de US$ 20 mil dólares, pode ter sido manipulado?

Pois um estudo do Departamento de Finanças da Universidade do Texas levanta a suspeita de que movimentações usando Tether, uma espécie de “vale moeda virtual” que equivale a US$ 1 dólar, colaborou com pelo menos metade da supervalorização do Bitcoin.

Usando algoritmos para analisar os dados da blockchain, o sistema responsável pelo registro de todas as transações de Bitcoins, o professor John Griffin e seu aluno Amim Samis descobriram que as compras com o Tether estão quase que sincronizadas com as desacelerações do mercado e resultam em aumentos consideráveis nos preços do Bitcoin. Menos de 1% das horas em que são registradas transações volumosas de Tether estão associadas a 50% do aumento meteórico do Bitcoin e a 64% na alta de outras criptomoedas.

A Bitfinex, uma das maiores exchanges do mundo e que tem os mesmos controladores da criadora do Tether, a Tether Inc., está no centro dessa suspeita. A gente comentou aqui no podcast que, no fim de janeiro, as duas empresas foram intimadas a prestar esclarecimentos sobre essa mesma suspeita de uso do Tether para dar um up no Bitcoin.

Segundo uma reportagem do The New York Times, muitas empresas do setor já expressaram preocupação de que os preços estavam sendo impulsionados, pelo menos em parte, pela atividade da Bitfinex, que está registrada no Caribe e tem escritórios na Ásia.

A Bitfinex negou no passado e voltou a negar essa semana que esteja envolvida em qualquer tipo de manipulação de mercado.

Os autores da análise não têm e-mails ou documentos que comprovem que a Bitfinex sabia ou era responsável pela manipulação de preços. Eles confiaram nos milhões de registros de transações capturados na blockchain, para identificar padrões. Este método não é conclusivo, mas já ajudou autoridades governamentais e acadêmicas a identificar atividades suspeitas no passado.

A análise de 66 páginas ajudou a reduzir ainda mais o valor do Bitcoin que agora está na faixa de US$ 6.500 dólares, menos de 3 vezes o que valia em dezembro do ano passado.

Blockchain dos Bancos

Enquanto isso aqui no Brasil, bancos e instituições financeiras estão avançando nos testes de um protótipo de blockchain que pode ajudar a reduzir fraudes nas transações bancárias por dispositivos móveis. Os testes envolvem a colaboração de 18 instituições financeiras do país e o Banco Central para criar um banco de dados distribuído que permitiria, por exemplo, que todas as instituições fossem informadas se um aparelho de um correntista ou futuro cliente de um banco foi perdido, furtado ou roubado. Tudo isso usando uma blockchain, o mesmo mecanismo responsável pelo registro imutável das transações das criptomoedas.

O anúncio sobre o avanço dos testes foi feito esta semana no CIAB 2018, evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos, em São Paulo. Segundo Adilson Conceição, que é coordenador do Grupo de Trabalho Blockchain da Febraban, ainda não se sabe se o projeto vai sair do virtual e tornar-se comercialmente viável, mas já é um passo importante na criação de um sistema colaborativo entre os bancos – o que segundo ele, é um movimento que não foi feito em outros países. Se virar realidade a blockchain antifraudes pode ser uma boa já que hoje, segundo a própria Febraban 58% das transações bancarias do país são feitas pela internet ou por mobile banking.

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Bitcoin manipulado e blockchain dos bancos brasileiros
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